Manaus, 27 de Abril de 2017

Artigo da Semana

QUINTA-FEIRA, 13 DE ABRIL DE 2017

*Nilson Pimentel

RESPONSABILIDADE COM O DESENVOLVIMENTO REGIONAL - I

   Ainda nessa semana, conversando com alguns persistentes empresários da economia ‘tradicional’ amazonense e outros economistas do Clube de Economia da Amazônia (CEA) em que discutíamos sobre determinadas questões que hoje estão em voga nos discursos das autoridades do Amazonas, como se fosse uma panaceia (substantivo feminino, 1. planta, beberagem, simpatia, ou qualquer coisa que se acredite possa remediar vários ou todos os males. 2. figurado, o que se emprega para remediar todas dificuldades) na solução para a estagnação econômica que se encontra os Municípios do Amazonas, chegando-se há algumas constatações que trazem por detrás algo da incapacidade de resolver ou encaminhar soluções para as demandas sociais e para o necessário desenvolvimento econômico do estado.
   Como sabe a sociedade amazonense e, principalmente a população de Manaus, as deficiências quanto às questões que envolvem a Economia e o Desenvolvimento Econômico Regional se arrastam pelo menos há 50 anos desde a implementação do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM). Essas questões que envolvem o aproveitamento econômico das potencialidades naturais que o Amazonas detém, faz algum tempo que se discutem todos esses assuntos como um dos caminhos a ser trilhados para o desenvolvimento regional, nada é novidade, mas se precisa lastrear nos conhecimentos científicos, tecnológicos e inovativos objetivando-se alterar as práticas centenárias que se exercem algumas atividades econômicas que utilizam essas matérias primas regionais, assim como, organizar e reordenar outras em processos de gestão, em conjunto de etapas produtivas ou fases de afinidades convergentes, economicamente.
   Aqui no Amazonas, visando processos de desenvolvimento econômico regional, além dos estudos, análises e alguns experimentos, já se tratou de vocações regionais, inter e intra regionais, de Cadeias Produtivas ainda não muito bem identificadas e/ou classificadas, de Parques Industriais Municipais, de Polos Regionais de Desenvolvimento, de AgroIndústrias, de especialização de produção agrícola em determinados espaços intermunicipais, da industrialização vinculada a determinadas matérias primas primárias, da diversidade de uso e aproveitamento de extrato, essências, substâncias naturais em processos primários de certos produtos artesanais e em processamento industrial, da exploração do extrativismo primário de flora, fauna e mineral, de experimentos de cultivos de determinadas espécies para melhor aproveitamento racional, dentre tantos exemplos que já se tem conhecimento.
   Contudo, nesses últimos 50 anos quase nada se fez de concreto para alterar os rumos da economia amazonense que resgatasse da estagnação o hinterland que vem se agravando e degradando gradativamente.
    Ainda no Amazonas não se pode saudar um desenvolvimento econômico regional e uma evolução econômica como conquistas irreparáveis ou de festejar um modelo de desenvolvimento endógeno que nos permita libertar das dependências que nos amarra, ainda porque não existem recursos naturais infinitos e que espere por vontade política para o desenvolvimento econômico de cada região do estado amazonense. Ou como de outra forma dizer, os próprios recursos naturais potenciais e a sociedade que tanto necessita desse desenvolvimento econômico se interpõem em questões problemáticas, haja vista, ser dever do governo estadual, como indutor do desenvolvimento, identificar em que dimensão econômica será utilizado determinado potencial natural? Será saber para onde se quer ir? Quais os caminhos e as metas a serem alcançadas? E, ainda não se sabe qual o ‘modelo’ a ser adotado, mesmo que se considere cada característica inter-regional dos municípios que compõem as nove sub-regiões amazonense.
   Os especialistas do CEA não descartam que somente um Planejamento Econômico Estratégico poderá induzir ao aproveitamento das características locais de cada Município e concorrer para o resgate econômico regional. No entanto, para aqueles economistas, o governo estadual como indutor primordial desse desenvolvimento regional, nesse foco endógeno, deve mobilizar os agentes e atores locais para que as ações, projetos e programas sejam de desenvolvimento regional de dentro para fora, sem imposição de cima com o sentido político dessa modelagem. E, aqueles especialistas, entendem que o desenvolvimento econômico regional seja um processo de transformação econômica, social e política que altere e melhore o padrão de vida da população envolvida, integrando ao fluxo econômico-financeiro externo de bens com outros mercados. Portanto, para os economistas desenvolvimentistas o importante é frisar como dogma, o papel da Ciência da Economia na promoção do desenvolvimento econômico regional que envolva questões do social, como libertador do atraso, da estagnação e que promova a dinamização sócio-cultural da sociedade envolvida.
   Nesse primeiro quartil do Século XXI, os processos de desenvolvimento econômico em regiões que possuem grandes mananciais de recursos naturais, como as do estado do Amazonas, mas que ainda se encontram isoladas ou em processo de estagnação econômica, principalmente em regiões que tem resultantes comprovados de causação climática em outras. Entende-se que esses processos devem ser discutidos nos níveis dos conhecimentos científicos da Ciência da Economia, da tecnologia e da inovação de processos produtivos e de gestão, assim como no envolvimento do contesto social, cultural e de cidadania, como tomada consciente do ponto de vista da sustentabilidade econômica e ambiental. Pois, não há desenvolvimento regional com crescimento econômico sem que não se tenha um preço a pagar, por isso há necessidade do planejamento econômico estratégico, para que não se tenha a evasão das perguntas que devem ser feitas e não as são.
   Qual a matriz econômica de cada projeto e sua cadeia de valor? Para que ponto se quer conduzir o desenvolvimento econômico local daquela sociedade envolvida? Nas questões sociais? Nas questões Culturais? Que densidade demográfica se quer chegar na região? Dentre tantas outras, pois se não respondidas os riscos implícitos poderão inviabilizar programas e projetos tornando-se inexequíveis economicamente, no sentido endógeno de tais regiões.
   O que justamente se discute, por exemplo, que indicadores são construídos a partir de conceitos externos, como o de qualidade de vida, o de desenvolvimento humano etc, os quais são mensurados muito restritamente como expectativas, como quando se implantam cursos de formação superior, ou de melhoria hospitalar, e outros itens a considerar, e ainda mais, os índices de criação de empregos, quando na realidade são apenas de ocupação em determinadas atividades econômicas, que podem ser identificados por fluxos econômicos que partem do centro irradiador de recursos, no caso, a cidade de Manaus.
   Casos em que se precisam dimensionar especificamente em cada região municipal, fatores mais específicos para aquele espaço, como autonomia e autodeterminação socioeconômica daquela população e atualmente, ainda não se consegue identificar nessas análises. 

(*) Economista, Engenheiro e Administrador de empresas, com pós-graduação: MBA in Management (FGV), Engenharia Econômica (UFRJ), Planejamento Estratégico (FGV), Consultoria Industrial (UNICAMP), Mestre em Economia (FGV), Doutorando na UNINI-Mx, Consultor Empresarial e Professor Universitário.

 

QUARTA-FEIRA, 5 DE ABRIL DE 2017

*Francisco de Assis Mourão Júnior

A TERCEIRIZAÇÃO

   Aprovada recentemente na Câmara dos Deputados, a medida vem beneficiar mais de 12 milhões de trabalhadores brasileiros que já trabalham terceirizados com carteira assinada. A terceirização já é uma realidade e agora também reconhecida e regulada pela lei.
   A autorização legal para o trabalho terceirizado, traz segurança jurídica às relações trabalhistas e poderá evitar discussões judiciais, podendo estimular contratações, dando amparo legal a empregadores e trabalhadores. A seguir, descrevo alguns pontos que acredito positivos, da terceirização.
  Deverá haver uma maior competitividade da economia e geração de empregos formais com o estímulo a contratação de empresas especializadas. A lei estabelece que tanto a empresa contratante quanto a contratada têm a responsabilidade quanto às obrigações trabalhistas dos terceirizados. A empresa terceirizada também pode ser responsabilizada na Justiça pelo pagamento de dívidas deixadas pela terceirizada, o que hoje não acontece. Ou seja, se a terceirizada não pagar causas trabalhistas, quem paga é a contratante. Considero que isso vai proporcionar uma proteção extra ao trabalhador.
   A Lei vai formalizar uma relação que sempre foi vista como "duvidosa". Os terceirizados terão os mesmos direitos assegurados no local de trabalho aos funcionários da empresa como alimentação no refeitório, treinamento quando necessário, serviço de transporte e atendimento médico nas dependências da empresa. Tudo pago pela terceirizada. Tal medida muda radicalmente a imagem que se tem dos terceirizados. Acredito ainda que não irá aumentar o número de terceirização, e sim, regulamentar a que já existe que, atualmente, atinge principalmente os setores da limpeza, vigilância e alimentação. Analisando os custos, percebo que não é vantagem para uma empresa terceirizar 100% dos seus funcionários, já que paga seus impostos ao governo e ao contratar os serviços também acaba bancando os impostos da terceirizada, que estarão, com certeza embutidos no valor do contrato. Seguindo as tendências atuais de mercado e emprego, acredito que as empresas não terceirizarão seus serviços constantes, mas sim os pontuais e que precisam de mão de obra especializada.
   Uma grande vantagem da nova Lei é que as empresas poderão contratar mão de obra especializada para funções específicas, já que a prestadora de serviços terceirizados deve ter um objeto social único, a sua qualificação técnica. Um ponto bastante preocupante para a maioria dos trabalhadores é com relação aos salários e benefícios, que acredito que não terão grandes alterações, haja visto que os trabalhadores ganharão conforme o grau de especialização e a função. A carga tributária atribuída a folha de pagamento das empresas é hoje o grande vilão dos custos de mão de obra, abocanhando pesados 20%, apenas de INSS. É necessária uma reforma tributária urgente, pois torna-se extremamente oneroso as empresas arcarem com toda esta carga, e, economicamente acaba impedindo crescimento e expansão dos negócios e serviços.
   Em tempos de crise e de recursos escassos, toda e qualquer redução de custos é muito bem-vinda. O projeto de lei que permite terceirizar o trabalho, apesar de já ter recebido aprovação na Câmara dos Deputados, ainda precisa passar pela sanção do presidente Michel Temer para passar a valer. Não há previsão de quando Temer deve assinar a proposta, mas espero que logo já possamos optar pela terceirização. 

(*) Economista, Conselheiro Regional do Corecon-AM, professor e consultor empresarial.

 

 

QUINTA-FEIRA, 30 DE MARÇO DE 2017

*Nilson Pimentel

AMAZONAS - OS DESAFIOS DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL I

   Sempre se questiona as razões que levam os governos a direcionar suas ações contrárias aos objetivos da sociedade, pondo em risco a eficiência na aplicação dos recursos escassos que em ultima instancia pertencem a todos dessa mesma sociedade. Visto assim, nos deparamos com vultosos volumes de recursos desperdiçados em propaganda de governos (estadual e municipal), no mínimo de gosto e veracidade duvidosos.

   Para os economistas desenvolvimentistas que se reúnem no Clube de Economia da Amazônia (CEA),  no Amazonas não é muito diferente dos outros estados da Amazônia Ocidental, que estão arraigadas a certas práticas de gestão pública prejudiciais às políticas de Estado em que os governantes caminham por estreitos do imediatismo que não conseguem superar velhas práticas ou velhos paradigmas, em vista das alterações e mudanças que o sistema econômico impõe.

   Ainda não foi encontrado nenhum outro caminho que não tenha sido do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM), agora traduzido por seu Polo Industrial de Manaus (PIM), polo de atividades econômicas dinâmicas voltadas às commodities eletroeletrônicas, as quais não se conseguem nenhuma aderência às atividades da econômica endógena do Amazonas.

   Um fato acorrido recentemente estava com dois pesquisadores de Denver, da Universidade do Colorado, que nos visitava, levando-os ao desembarque do pescado nos atracadouros da Panair, nos quais permanecemos até manhã do outro dia, observando e documentando toda operação e movimentação daquela atividade, chegando à constatação que se desperdiça, na entressafra do pescado, de 5 a 8 toneladas de peixes ao dia, jogadas diretamente no lixo e na safra até 15 toneladas/dia, informações colhidas dos próprios trabalhadores do local. O diálogo que se seguiu foram os americanos dizendo que somos muito ricos, e minha interrogação para saber daquela constatação, pois eles disseram que o Amazonas desperdiça um dos produtos mais caros e escassos do mundo, a proteína animal da melhor qualidade proveniente do peixe.

   E daí decorreu uma das mais acaloradas discussões no CEA, de que ainda não se aprendeu, por intermédio dos conhecimentos científicos, tecnológicos e inovativos o que fazer com toda essa riqueza que representa esse bioma amazônico, um verde e vasto mundo de águas e florestas, onde as copas de árvores imensas escondem o úmido nascimento, reprodução e morte de mais de um terço das espécies que vivem sobre a Terra, e que o Amazonas faz parte, pois assim mesmo, após 50 anos de fausto do projeto ZFM, continuamos uma sociedade pobre e carente vivendo em meio da riqueza.

   Esses imensos recursos, além da madeira, do pescado, dos répteis, quelônios, minérios, ervas, óleos e extratos naturais, além do imensurável potencial da indústria do turismo, por exemplo, representam uma abundante fonte de riqueza natural. Por outro lado, toda essa riqueza se contrapõe aos baixos índices sociais e econômicos da região, baixa densidade demográfica, crescente processo de urbanização das sedes municipais, sem tratar da explosão que a capital Manaus passou nesses últimos 50 anos e ainda passa atualmente, que para os pesquisadores do CEA o uso dos recursos naturais é estratégico para o desenvolvimento econômico regional e não se tem outras oportunidades para desenvolvimento econômico regional que não seja de base endógena.

   Entretanto, como a Amazônia, o estado do Amazonas pode ser compreendido como um espaço territorial complexo e que os desenvolvimentistas chegaram a possíveis três grandes e complexos conjuntos estratégicos, senão vejamos:

 1) se constitui de incomparável patrimônio biológico, no qual se encontra um terço das florestas tropicais do planeta e 30% da diversidade biológica mundial;

 2) estratégia atmosférica, sua massa vegetal libera, por ano, 7 trilhões de toneladas de água por meio de evapotranspiração e seu incomparável patrimônio hidrológico, com cerca de 1100 afluentes por onde fluem, aproximadamente, 20% da água doce do planeta e 80% da água doce disponível no Brasil;

 3) seu imenso patrimônio geológico, como as reservas de minérios dentre os quais aqueles de potencial para novas aplicações tecnológicas, como o nióbio e o titânio.

   Sendo assim, não se pode relegar o patrimônio humano, o expressivo contingente de povos indígenas e as populações tradicionais nas quais se incluem seringueiros, castanheiros, ribeirinhos e demais extrativistas primários, suas etnias e culturas, ou seja, os povos da floresta. Visto assim, para os economistas do CEA estas constatações da realidade levam ao aprofundamento das discussões quanto aos desafios que envolvem os processos de desenvolvimento econômico regional, tendo em vista uma gama vastíssima de potenciais econômicos, de conteúdos endógenos estabelecidos na base de sua biodiversidade e, até seu aproveitamento econômico na moderna biotecnologia.

   Nessas perspectivas da moderna biotecnologia, podem incluir as mudanças na função das academias públicas e privadas, na capacitação e formação de capital humano, sob o enfoque das oportunidades tecnológicas, como características de prospectar maior força desse novo conhecimento, maiores possibilidades de novos investimentos produtivos diretos, nacionais e estrangeiros nas novas áreas de negócios. Portanto, além do que fizeram nossos antepassados para conquistar e manter esse imenso território com seu manancial de riquezas, os desafios são imensos para desenvolver economicamente essa região, e isso é decisivo, a concretização de tais possibilidades depende de esforços e de Planejamento Estratégico Econômico regional voltado a processos de desenvolvimento que assegure a difusão das inovações tecnológicas e organizacionais dos setores produtivos com crescentes exigências da eficiência produtiva e competitividade que impere nessas fases de transição do tradicional para o moderno.

(*) Economista, Engenheiro e Administrador de empresas, com pós-graduação: MBA in Management (FGV), Engenharia Econômica (UFRJ), Planejamento Estratégico (FGV), Consultoria Industrial (UNICAMP), Mestre em Economia (FGV), Doutorando na UNINI-Mx, Consultor Empresarial e Professor Universitário

 

QUINTA-FEIRA, 09 DE MARÇO DE 2017

*Nilson Pimentel

O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL - ZONA FRANCA DE MANAUS 50 ANOS

   A sociedade que habita o estado do Amazonas tem que se regozijar com meio século de seu único projeto de desenvolvimento econômico regional local – a ZONA FRANCA DE MANAUS (ZFM), atualmente, traduzido nas atividades econômicas do POLO INDUSTRIAL DE MANAUS (PIM). Há muito que se afirmar sobre as politicas públicas de desenvolvimento regional dos Governos Militares, as quais sob o manto da integração regional geopolítica possibilitou que se instalasse na região central da Amazônia Brasileira um enclave econômico que se sustentasse em três grandes pilares – a agricultura (setor primário), a indústria (setor secundário) e o comércio e serviços (setor terciário) e assim pudesse espraiar o desenvolvimento econômico para toda a Amazônia.

   Outro fator importante a ser observado por todos os stakeholders é o embasamento que o projeto ZFM trazia em si, os Incentivos Fiscais e Extra-Fiscais. E assim se fez a implementação desse grande projeto que resgatou a economia do Amazonas do estado de estagnação econômica que se encontrava após o deblaquê do Ciclo da Borracha.

   Decorridos meio século de sua implementação, nos quais embotou a mentalidade dos governantes do Amazonas, tanto por sua grandiosidade quanto por seus significativos resultados auferidos, para os governos federal e estadual, nesse intervalo de tempo, sem que nada mais se ousasse em termos de comprometimento com o futuro dessa imensa e rica região, objetivando o desenvolvimento econômico regional, tanto que o hinterland amazonense (61 municípios) encontra-se em total abandono e em estagnação econômica.

   Quando em discussões com pesquisadores de projetos de desenvolvimento econômico, com algumas exceções, grande parte tem posição que para uma satisfatória análise econômica de um projeto de desenvolvimento dessa envergadura, somente após os 50 anos de sua implementação os parâmetros socioeconômicos tendem a ficar bem delineados por metodologia científica especifica, com abordagens às análises de sua sedimentação, de suas analises matriciais, de agregação em cadeias produtivas, de suas cadeias de valor e de suas aderências às economias tradicionais da região na qual está instalado. Aqui se deixa as discussões políticas do projeto ZFM, no trato de sua perenidade, de defesa de sua base tributária-fiscal e de sua importância política para o Amazonas, para os gestores públicos e políticos partidários como de obrigação de ofício, pois foram eleitos e ganham para defender os interesses do Amazonas e de sua população.

   Para os pesquisadores e especialistas que discutem o tema – ZFM e PIM - no Clube de Economia da Amazônia (CEA), não se pode mais permitir que os interesses políticos se sobreponham aos objetivos da sociedade amazonense, pois essa ocorrência tem provocado relativa importância na medida de seus interesses e valorados subjetivamente pelos tomadores de decisão, prejudicando, sobremaneira, as necessidades que o Amazonas tem, como interesses econômicos em espraiar seus resultados aos demais municípios amazonenses e, não somente, na capital-estado, Manaus.

   Ainda falta muito para o Amazonas e o Brasil conhecerem intrinsecamente o projeto ZFM e seu Polo Industrial de Manaus como quinhão de importância àpreservação, à manutenção dos serviços ambientais decorrentes do bioma amazônico, à ocupação dessa imensa região com uma totalidade incalculável de biodiversidade brasileira, a qual encerra incalculável riqueza a ser explorada na racionalidade econômica, como potenciais recursos aos programas e projetos de desenvolvimento econômico regional, sem as dependências internas e externas.

   Nós amazonenses e amazônidas também temos o direito ao bem estar, à melhoria da qualidade de vida e à equidade social dessa riqueza. Somente para observação inicial do tema, se tem dois tipos de abordagens:

a) a primeira corresponde à hierarquização na ordem cardinal do valor social desse grande projeto para o Amazonas;

b) a segunda tem a relação com seu grau de alcance das metas e resultados a serem avaliadas por indicadores econômicos, com base na metodologia cientifica estabelecida para tal, para o Amazonas e sua intrínseca valoração espacial e temporal.

   Também, não se pode descartar como indicadores as questões relacionadas à formação bruta de capital fixo no Amazonas decorrentes da ZFM e suas variantes decorrentes de impacto na sociedade e na economia estadual, diretamente. Para os pesquisadores do CEA, essa avaliação tecnoeconômica científica objetiva demonstrar de forma consistente o principio da eficiência socioeconômica de alocação de recursos e que se busque estabelecer uma relação entre a eficiência econômica e a social ou, esclarecendo, entre a viabilidade econômica e a social de relevância, coerente com a teoria de preferência e seus axiomas de transitividade e indiferença da Politica Econômica da alocação.

   Sempre se procura discutir a avaliação econômica ex ante e ex post, indicando os conflitos teóricos e de política entre o princípio de eficiência econômica e social. Portanto, o que os pesquisadores do CEA tendem a demonstrar são avaliações ex ante de viabilidade econômica que analisem a alocação eficiente dos recursos, sob os enfoques privado e econômico, condicionadas à eficiência tecnológica, a eficiência alocativa e de escala, sob o princípio da eficiência econômica e que possam utilizar indicadores quantificáveis cardinalmente com usos alternativos, como por exemplo, em projetos de base endógena.

   Nesta visão estratégica, os especialistas são categóricos em afirmar que se deve atentar para readequação desse modelo de projeto ZFM, para uma arquitetura organizacional institucional de outro formato, que permita que a Instituição de gestão do modelo executar um Planejamento Econômico Estratégico de longo prazo, que abranja  a Amazônia Ocidental no sentido de processos de desenvolvimento econômico regional, no que tange a eficiência alocativa dos recursos gerados pelo modelo, principalmente de recursos de P&D, pois somente com base no desenvolvimento cientifico tecnológico inovativo se poderá levar o modelo à Industria 4.0 que já vigora no mundo econômico tecnológico atual e na atração de novos investimentos de plantas fabris desse segmento, saindo do fluxo de commodities eletroeletrônicas e afins, que vigorou até esse quartil do século XXI.   

   É esse o maior desafio desse modelo. Contudo, a análise da eficiência social e dos métodos para fundamentar a viabilidade social ou relevância ex ante e, relevância social ex post, são respectivamente, do campo dedutivo da Ciência Econômica e o campo técnico da governança da gestão pública, existente: Governo Estadual e Municipal e da Superintendência da Zona Franca de Manaus.

   Por outro lado, ao se querer tornar perene a possibilidade desse projeto de desenvolvimento regional sustentável, se terá que caracterizá-lo como um processo de mudanças constantes, no qual se compatibilize a exploração de recursos de produção (independente de origem), o gerenciamento de investimentos tecnológicos e as mudanças institucionais com o presente e o futuro da região. Pois, para aqueles pesquisadores, o desenvolvimento sustentável é um processo de aprendizagem social de longo prazo, sustentado por políticas públicas orientadas por planejamento econômico estratégico de médio e longo prazo.

   Para tanto, de modo esclarecedor, o economista Ignacy Sachs dispõe: 

“Sustentabilidade social – refere-se ao desenvolvimento que tem por objetivos a melhoria da qualidade de vida da população, não perdendo de vista a questão do bem estar social”.

   Para o caso de regiões com problemas de desigualdade e de inclusão social, implica a adoção de políticas distributivas e a universalização de atendimento as questões como saúde, educação, habitação e segurança social.  

“Sustentabilidade política – refere-se ao processo de construção da cidadania para garantir a incorporação plena dos indivíduos ao processo de desenvolvimento”.

"Sustentabilidade econômica – refere-se a uma gestão eficiente dos recursos em geral e caracteriza-se pela regularidade de fluxos do investimento público e privado. Implica na avaliação da eficiência por processos macrosociais.”

(*) Economista, Engenheiro e Administrador de empresas, com pós-graduação: MBA in Management (FGV), Engenharia Econômica (UFRJ), Planejamento Estratégico (FGV), Consultoria Industrial (UNICAMP), Mestre em Economia (FGV), Doutorando na UNINI-Mx, Consultor Empresarial e Professor Universitário

 

 

TERÇA-FEIRA, 07 DE MARÇO DE 2017

*Nilson Pimentel

O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO LOCAL - AMAZONAS II

   Ainda nesses dias que antecedem o 50º aniversário de implementação do projeto Zona Franca de Manaus (ZFM), se tem travado discussões com outros pesquisadores sobre as diversas causas da estagnação econômica que os Municípios do estado do Amazonas, mesmo e a despeito da existência de imensos recursos naturais e de potenciais econômicos assentados nos espaços territoriais desses municípios e do grandioso volume de recursos gerados pelas atividades econômicas do Polo Industrial de Manaus (PIM).

   Antes que se coloquem as divergências de ideias sobre as questões que envolvem o desenvolvimento econômico regional local, se faz necessário ressaltar que seja comum em quase todas as abordagens que o desenvolvimento econômico de determinada região deva demonstrar melhorias na qualidade de vida da sociedade, que bem poderiam se caracterizar pela disponibilidade de serviços e bens acessíveis a todos os indivíduos daqueles espaços territoriais que passam por indução de processos de desenvolvimento econômico. Visto assim, entende-se que as ações indutoras podem se caracterizar como possibilidades para que a organização espacial condicione naturalmente o desenvolvimento econômico, criando mobilidades e acessos a maiores oportunidades para uma apropriada utilização dos recursos naturais e humanos daquele espaço territorial.

  Para tanto, nas discussões no Clube de Economia da Amazônia (CEA) os especialistas, em geral, sempre remetem que os processos e ações de desenvolvimento econômico regional devem iniciar-se e mantém relação intrínseca com as possibilidades da utilização reacional dos recursos naturais e demais fatores de produção, pois são inerentes à aglomeração das atividades econômicas e a concentração de pessoas, com a distribuição destes no espaço territorial municipal. Tanto é assim, que alguns pesquisadores econômicos enfocam que existam problemas quanto à densidade demográfica nos municípios amazonenses, o que influencia na desigualdade em termos de mercado e em renda, como seja:

 a)      se refere a problemática da desigualdade regional, entre os Municípios e entre as 9 sub-regiões do Amazonas, principalmente da renda per capita, o que denota a ausência de politicas públicas específicas que minimize e que melhor adeque esse problema;

 b)      o outro problema, além da baixa densidade populacional entre os Municípios dessas sub-regiões, há um problema maior, que é da desigualdade da renda total, o que demonstra que em alguns espaços territoriais existam mais atividades econômicas que em outros, provocando maior desigualdade na renda absoluta entre as sub-regiões e entre os municípios em geral.

Fique informado